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::: Cientistas de todos os tempos :::

 

 

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Luigi Galvani

1737 - 1798

Século XVIII. Surgem as primeiras intuições dos fenômenos elétricos e magnéticos. Franklin especifica a noção de carga elétrica. Cavendish define a capacidade de um condutor e seu grau de eletrificação, que mais tarde será chamado potencial. Coulomb formula a lei do inverso do quadrado das distâncias para as interações de cargas elétricas, e inicia o estudo experimental e teórico da distribuição da eletricidade na superfície de um condutor. Toda essa série de pesquisas é o início de um dos períodos mais fecundos da história da ciência, período esse que culminará com a invenção da pilha por Alessandro Volta.

E é rejeitando a teoria simplista de Galvani - defensor da "eletricidade animal" - que Volta estabelece a relação entre fenômenos elétricos e químicos.

Nascido em Bolonha, a 9 de setembro de 1737, Luigi Galvani permaneceu nessa cidade durante toda sua vida, afastando-se de lá uma única vez.

Orientado pelo pai, o médico Domenico Galvani, Luigi ingressou na Universidade de Bolonha, onde, com apenas 22 anos de idade, completou o curso de medicina. Três anos mais tarde, em 1762, ele ocupou a cátedra de anatomia nessa universidade.

Hábil cirurgião, Galvani realizou importantes estudos de anatomia comparada sobre os aparelhos urinário e genital, e os órgãos do olfato e da audição. Datam desse período, que se estendeu de 1762 a 1783, algumas publicações sobre o assunto: De Ossibus These (1762), De Renibus atque Uretribus Volatilium (1767) e De Volatilium Aure (1783).

De 1783 em diante, a orientação das pesquisas de Galvani mudou completamente: os fenômenos elétricos começaram então a absorvê-lo.

Em 1797, com a implantação da República Cisalpina, Galvani viu-se obrigado a abandonar a cátedra de anatomia: seus princípios religiosos impediam-no de prestar juramento aos novos governantes. Aos tempos afortunados, seguiu-se um longo período de privações e miséria, que se estendeu até 1798, ano em que ele morreu. Pouco antes, havia sido reconhecido seu direito de receber uma pequena pensão de aposentadoria.

Em 1786, Galvani observou acidentalmente o que mais tarde chamaria de "eletricidade animal". As primeiras anotações sôbre essa descoberta foram publicadas somente em 1791. Em sua memória De Viribus Electricitatis in Motu Musculari, ele descreve sua observação casual nos seguintes termos: "Tendo dissecado e preparado uma rã, coloquei-a sobre uma mesa onde se achava, a alguma distância, uma máquina eletrostática. Aconteceu, por acaso, que um de meus assistentes tocou a ponta de seu escalpelo no nervo interno da coxa da rã; imediatamente os músculos dos membros foram agitados por violentas convulsões". Galvani acreditou ter realizado importante descoberta. Pensava, erroneamente, ter encontrado um detetor extremamente sensível para as correntes ou descargas elétricas, cujo estudo ainda engatinhava; em seguida, admitiu a hipótese de que esse "detetor" poderia revelar-se uma nova fonte de eletricidade. Na época eram conhecidos somente o atrito e a "influência" (indução) eletrostática.

Experiência atmosférica

Desde logo, Galvani começou a variar as condições de suas experiências. Em um dia tempestuoso, foi levado a acreditar que a eletricidade atmosférica era capaz de produzir os mesmos efeitos que sua máquina eletrostática. Em condições atmosféricas normais, porém, Galvani nada observou. Esse fato mostra o caráter simplista e puramente casual das deduções de Galvani, pois nem a máquina eletrostática nem as condições atmosféricas influíam no resultado de suas experiências. Para Galvani, todavia, isso significava certamente um reforço para suas convicções.

Certo dia, tendo fixado um fio de cobre na medula espinhal de uma rã, Galvani fechou o circuito suspendendo o fio em uma rede de ferro; imediatamente as convulsões se manifestaram. Desta vez, a experiência poderia ter levado a conclusões certas: havia um circuito formado por três condutores - um, eletrolítico, e dois metálicos. Mas Galvani, perseguido pela idéia de que a rã poderia ser um detector de eletricidade, atribuiu as convulsões observadas às variações do estado elétrico da atmosfera.

E, mais uma vez, Galvani alterou as condições de sua experiência. Desta vez, ele descreve: "Levei o animal para um quarto fechado e coloquei-o sobre uma placa de ferro; quando toquei a placa com o fio de cobre, fixado na medula da rã, vi as mesmas contrações espasmódicas de antes. Tentei outros metais, com resultado mais ou menos violentos. Com os não condutores, todavia, nada se produziu. Isso era bastante surpreendente e conduziu-me a suspeitar de que a eletricidade era inerente ao próprio animal, suspeita que foi confirmada pela observação de que uma espécie de circuito nervoso sutil (semelhante ao circuito elétrico da garrafa de Leiden) fecha-se dos nervos aos músculos quando as contrações se produzem"

Em outra experiência, Galvani usou um arco metálico, constituído por uma haste de cobre e outra de zinco.

Laboratório de Galvani

Embora possuísse todos os dados necessários para elaborar a teoria eletrolítica, Galvani defendeu durante toda a vida a falsa teoria da eletricidade animal. Sustentou também a comparação de seu "aparelho" (a rã) com a garrafa de Leiden; o nervo era a armadura interna e o músculo a armadura externa.

A descoberta de Galvani entusiasmou os cientistas da época, principalmente Alessandro Volta. Este repetiu, em 1792, as experiências de Galvani, tendo aceito inicialmente a hipótese da eletricidade animal.

Em 1793, todavia, ele rejeitou radicalmente tal teoria, provando que os músculos da rã não se contraem se a placa e o fio forem constituídos de um mesmo metal. Iniciou-se então uma polêmica calorosa entre Galvani e Volta. Galvani chegou a demonstrar que as convulsões podiam ser obtidas mesmo sem a intervenção de qualquer arco metálico. Volta, no entanto, considerou esse fenômeno como uma simples decorrência de um estímulo mecânico e rebateu a hipótese do médico de Bolonha, expondo o princípio dos três condutores - um eletrolítico e dois metálicos. Eram esses os únicos elementos necessários para originar o fluido elétrico (como era chamada na época a corrente elétrica).

De 1795 a 1797, Galvani trocou intensa correspondência com Lazzaro Spallanzani. Em suas cartas, ele manifestava forte desejo de pôr fim à polêmica com Volta, conciliando as duas teorias. Visando a esse objetivo, distinguiu dois tipos de contrações, umas obtidas sem a ajuda do arco metálico, outras que exigiam sua presença. As primeiras, ele atribuía à eletricidade inerente ao próprio organismo animal; as segundas, ao que chamava, embora não soubesse definir, de eletricidade extrínseca. Defendeu ainda que os músculos se contraíam somente quando o "fluido" não corria da maneira regular.

Essa tentativa de conciliação foi totalmente infrutífera, como era natural.

Em uma carta a um de seus amigos, escrita no ano de 1796, Volta expressou claramente suas idéias a respeito de condutores e eletricidade: "O contato de condutores diferentes, sobretudo metálicos, que denominarei condutores secos ou de primeira classe, com condutores úmidos, ou de segunda classe, desperta o fluido elétrico e imprime-lhe certa impulsão ou incitação. . .". No mesmo ano, Fabbroni, um químico de Florença, observou que, quando duas lâminas de metais diferentes são postas em contato no interior de um líquido - água, por exemplo -, uma delas fica oxidada. Intuiu então que deve existir certa relação entre os dois fenômenos - o elétrico e o químico.

Em 1800, Volta reafirmou essa relação, construindo a primeira pilha elétrica, hoje chamada pilha galvânica ou voltaica.

No último período de sua existência, Galvani, já fraco de saúde e profundamente abalado pela morte de sua mulher, empreendeu uma longa viagem ao Adriático. Seu objetivo era estudar o comportamento dos torpedos - uma espécie de peixe-elétrico. Deduziu, de suas observações, que era de natureza elétrica o choque provocado pelo peixe e que ele era particularmente intenso nos músculos do animal. Com essas observações, Galvani acreditou, mais uma vez erradamente, ter achado a confirmação do que durante toda a vida defendera - o fluido elétrico de origem animal..

Galvani morreu pouco depois dessa viagem, no dia 4 de dezembro de 1798. 

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Prof. Luiz Ferraz Netto [Léo]
leobarretos@uol.com.br 

 


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